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MANIFESTO

Abrir uma empresa é coragem. Mantê-la é resistência.

Teto do MEI congelado desde 2018, degrau de custo para quem cresce, guias e declarações sem fim. O país que elogia o empreendedor é o mesmo que trata ele como suspeito.
23 de outubro de 2026
6 min de leitura
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Todo mundo fala que o Brasil precisa de quem empreende. Que o pequeno negócio gera emprego. Que o MEI é a porta de entrada da formalização. Lindo. Agora tente abrir uma empresa de verdade e mantê-la viva por cinco anos. Aí você descobre que o país que elogia o empreendedor é o mesmo que trata ele como suspeito.

R$ 81 millimite anual do MEI. Congelado desde 2018, enquanto tudo o mais subiu.
R$ 82 a 87DAS mensal do MEI em 2026, que sobe todo ano junto com o salário mínimo.
R$ 6.750de faturamento médio por mês no teto do MEI. Faturamento, não lucro.
~9xpode ser o salto de custo anual ao passar de MEI para microempresa, na nossa simulação.

O MEI: simples, mas com uma armadilha

O MEI é, de fato, um dos melhores instrumentos que o Brasil já criou: imposto fixo, pouca burocracia, acesso à Previdência. Ninguém aqui é contra. O problema é o teto. R$ 81 mil por ano são R$ 6.750 por mês de faturamento. Tire o custo da mercadoria, o aluguel, a internet, o combustível, e veja o que sobra. O teto está parado desde 2018. A inflação, não.

Resultado: o pequeno negócio que começa a dar certo é punido justamente por dar certo.

O degrau: quando crescer custa caro

Simulação · prestador de serviço faturando R$ 90 mil por ano

Custo anual: se pudesse ser MEI x como microempresa

Como MEIR$ 1.033
Como MER$ 9.000

MEI: 12 parcelas de DAS de R$ 86,05 (serviços). ME: Simples Nacional na faixa inicial do Anexo III (6% sobre o faturamento, R$ 5.400) mais contador estimado em R$ 300 por mês (R$ 3.600). Valores ilustrativos; a alíquota real depende da atividade.

+R$ 8 milpor ano só por ter faturado R$ 9 mil a mais. O prêmio por crescer é uma conta nova.

A rotina de quem resiste

  1. AbrirCNPJ, Junta Comercial, inscrição municipal, alvará, licenças conforme a atividade. Cada órgão com seu sistema.
  2. Contratar um contadorNa prática, indispensável para uma microempresa sobreviver às obrigações. MENSAL
  3. Pagar a guia todo mêsDAS do Simples, calculado sobre o faturamento, tendo lucro ou não. MENSAL
  4. Entregar declaraçõesDeclarações anuais e mensais, eSocial se tiver funcionário, FGTS Digital, notas fiscais. Erro gera multa. RECORRENTE
  5. Contratar alguémE descobrir quanto custa um funcionário além do salário.
  6. Acompanhar a reformaA partir de 2027, empresas do Simples podem optar por recolher IBS e CBS por fora. Mais uma decisão técnica que o pequeno não pediu.

Abrir uma empresa no Brasil é coragem. Mantê-la aberta é resistência.

O tempo que o Estado rouba

No último relatório Doing Business do Banco Mundial, o Brasil aparecia como o país onde uma empresa média gastava cerca de 1.500 horas por ano só para cumprir obrigações tributárias, entre as piores marcas do mundo. Desde então, houve avanços digitais. Mas pergunte a qualquer pequeno empresário quanto da semana ele passa vendendo e quanto passa respondendo ao governo.

Cada hora preenchendo guia é uma hora a menos atendendo cliente, treinando funcionário, inventando produto. É o país inteiro ficando mais pobre por causa de papel.

O que a gente exige

  • Corrigir o teto do MEI pela inflação, e criar uma rampa suave de transição para microempresa, em vez de um degrau.
  • Uma só porta: um cadastro, uma guia, uma declaração para o pequeno negócio.
  • Multa educativa antes de multa punitiva para quem erra pela primeira vez.
  • Que o Estado trate o empreendedor como parceiro, e não como suspeito permanente.

Fontes para consulta

Consulta em outubro de 2026. A simulação é ilustrativa; alíquotas do Simples variam por anexo e faixa, e honorários contábeis variam por região.

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