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HOLERITE COMENTADO

O salário que você nunca vê.

Você ganha R$ 4 mil. A empresa gasta quase R$ 6,5 mil. Você recebe R$ 3,6 mil. Entre um número e outro, mora o governo. O holerite, linha por linha.
23 de outubro de 2026
6 min de leitura
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Na entrevista de emprego, falaram em R$ 4 mil. Você comemorou. Aí chegou o primeiro holerite e o número no fim da folha era outro. E tem uma coisa que ninguém te mostrou: para a empresa, você não custa R$ 4 mil. Custa quase R$ 6,5 mil.

Entre o que o patrão paga e o que cai na sua conta, existe um buraco. E quem mora nesse buraco é o governo.

R$ 6.488custo mensal estimado de um funcionário com salário de R$ 4 mil, para empresas fora do Simples.
R$ 3.631o que cai na conta do trabalhador. Pouco mais da metade do custo total.
R$ 1.697por mês vai para o governo só em contribuições sobre esse salário.
R$ 0de Imposto de Renda nesse salário em 2026, com a nova isenção até R$ 5 mil. Pelo menos isso.

O holerite, linha por linha

A linha
O que significa
Salário brutoR$ 4.000,00
O número da entrevista. O que você acha que ganha.
INSS– R$ 368,61
Contribuição progressiva de 7,5% a 12% por faixas, descontada antes de o dinheiro chegar a você.
Imposto de RendaR$ 0,00
Isento desde 2026 para quem ganha até R$ 5 mil. Acima disso, a mordida volta, e chega a 27,5%.
LíquidoR$ 3.631,39
O que de fato cai na conta. E é sobre ele que você ainda vai pagar imposto em tudo o que comprar.

O lado da folha que você nunca vê

Além do que sai do seu salário, a empresa paga outra montanha só por ter você registrado. Para empresas no Lucro Presumido ou Real, são 20% de INSS patronal, mais o seguro de acidente de trabalho, mais as contribuições para o Sistema S e outras entidades, mais 8% de FGTS. E tudo isso incide também sobre o 13º e as férias, que precisam ser guardados mês a mês.

Para onde vão os R$ 6.488 que a empresa gasta por mês

  • Seu líquidoR$ 3.631
  • Governo (INSS e contribuições)R$ 1.697
  • 13º e férias (provisão)R$ 778
  • FGTSR$ 382

Simulação ilustrativa para empresa fora do Simples Nacional: INSS patronal de 20%, RAT de 2%, terceiros de 5,8% e FGTS de 8%, incluindo os encargos sobre 13º e férias provisionados. No Simples, a contribuição patronal é diferente e costuma ser menor.

1 em 4reais do custo do seu trabalho vai direto para o governo, antes de você tocar no dinheiro. Depois, você ainda paga imposto no mercado, na luz, no combustível.

Seu chefe paga R$ 6,5 mil. Você recebe R$ 3,6 mil. E os dois saem achando que o outro é que está levando vantagem.

Por que isso deveria te revoltar

Porque esse modelo empurra todo mundo para o lado errado. A empresa olha o custo e contrata menos, ou contrata como PJ, sem férias, sem 13º. O trabalhador olha o líquido e acha que ganha pouco porque o patrão é pão-duro. E no meio disso, a maior fatia vai para quem nem estava na sala de entrevista.

E o FGTS? É seu, mas fica preso, rendendo historicamente menos do que muitos investimentos simples, e você só mexe nele nas hipóteses que o governo permite.

Para ser justo: a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, em vigor desde 2026, foi um alívio real para milhões de pessoas. Mas ela não mexeu no peso do INSS, nem no custo da folha para quem contrata.

O que a gente exige

  • Holerite transparente: todo contracheque deveria mostrar também o que a empresa pagou de encargos. O trabalhador tem direito de saber quanto custa.
  • Desoneração da folha para quem gera emprego formal, especialmente o pequeno.
  • FGTS que renda de verdade, ou com mais liberdade para o trabalhador decidir.

Teste em casa: pegue seu holerite, some 20% de INSS patronal, 8% de FGTS e 1/12 de 13º e férias sobre o bruto. Esse é o seu verdadeiro salário. O que você recebe é o que sobrou.

Fontes para consulta

Consulta em outubro de 2026. Cálculo ilustrativo; percentuais de RAT e terceiros variam por atividade, e empresas do Simples têm regras próprias.

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