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O preço está na prateleira. O imposto está escondido dentro dele. A reforma tributária muda o nome das cobranças, mas a pergunta continua: quanto disso é seu?
20 de outubro de 2026
4 min de leitura
Contexto + opinião
Cesta de compras
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Arroz, café, sabão em pó, fralda, remédio. Você passa no caixa, paga o total e vai embora achando que pagou pelas compras. Pagou. Mas também pagou, sem ver, uma série de tributos que estavam dentro de cada etiqueta.

O imposto que não aparece na prateleira

No Brasil, boa parte da arrecadação vem de tributos sobre o consumo: ICMS, PIS, Cofins, IPI e ISS. Eles são cobrados das empresas ao longo da cadeia e repassados para o preço final. Para quem compra, o imposto é invisível. Para quem vende, é só mais um custo. E quem ganha menos sente mais: como gasta quase toda a renda em consumo, entrega proporcionalmente mais do salário em impostos do que quem pode poupar ou investir.

Você tem o direito de saber

Desde 2012, a Lei 12.741 obriga o comércio a informar o valor aproximado dos tributos que incidem sobre o que você compra. Na prática, essa informação costuma aparecer no rodapé do cupom fiscal, em letra miúda, que quase ninguém lê. Faça o teste na próxima compra do mês: some o que está ali. O número assusta.

O preço está na prateleira. O imposto está escondido dentro dele.

E a reforma tributária?

A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 começaram a trocar cinco tributos sobre o consumo (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Em 2026 o modelo está em fase de teste, com 0,9% de CBS e 0,1% de IBS destacados nas notas fiscais, compensados com tributos atuais. A transição vai até 2033.

Há pontos positivos: um sistema mais simples, o imposto mais visível na nota e uma cesta básica nacional com alíquota zero. Mas a alíquota de referência somada está estimada pelo Ministério da Fazenda em cerca de 26,5%, uma das mais altas do mundo para esse tipo de imposto. Mudar o nome da cobrança não é o mesmo que diminuir a conta.

O que a gente cobra

  • Imposto visível de verdade: na etiqueta, e não só no rodapé do cupom.
  • Vigilância na transição: simplificar não pode virar desculpa para aumentar a carga.
  • Justiça: menos peso sobre o básico, que é onde as famílias não têm escolha.

Fontes para consulta

Consulta em outubro de 2026. A alíquota de referência de CBS e IBS ainda é uma estimativa oficial e pode mudar.

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